10 coisas que eu aprendi em 2016

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coisas que eu aprendi em 2016

Gostaria muito de poder dizer que 2016 foi um ano bacana. Mas ele foi muito, muito estranho. Meus amigos, familiares, a internet, gente que não conheço, enfim, todo mundo reclamando que este não foi fácil. Concordo completamente. Aconteceu de tudo e um pouco mais. (Enquanto eu escrevo esse texto, fiquei sabendo que o cantor britânico George Michael, de 53 anos, faleceu. E olha que ainda faltam 6 dias para o ano acabar. Credo!) Para mim, foi um ano de perdas como eu nunca tinha tido, até então. Estou saindo de 2016 desta maneira. Ontem, debaixo do chuveiro – e ao som de Paciência do Lenine – tentei listar algumas coisas que aprendi em 2016.

1. É muito difícil lidar com a morte. 

O que é que você precisa aprender a perder?“, texto sobre o qual escrevi na semana passada e disse que é preciso dar a volta por cima. Mas muitas vezes, quando enfrentamos a morte de alguém que amamos, parece que se abre um buraco em nossa vida, que nunca mais será fechado. Dia 23 de dezembro deste ano, completou-se cinco meses que minha irmã faleceu. Parece que ontem mesmo estávamos juntas, é horrível pensar que nunca mais poderei abraça-la ou ouvir sua risada escandalosa. Conheço muitas pessoas, mas nenhuma tem – ou terá – o mesmo coração que a Juliana tinha. Um coração gigantesco. Com ela, todos sempre tinham algo a receber: um abraço, um sorriso, uma risada e até mesmo a roupa do próprio corpo. Ela era assim, amava de forma inocente e absoluta. Agora eu guardo as lembranças, algumas inesquecíveis.

A morte da minha irmã me forçou a refletir melhor sobre a minha própria vida.
Que parte de mim sobrou? Que parte de mim se perdeu? Alguma parte me ajudará?
O que há de “bom” nisso tudo? Sinceramente? Ainda não sei responder a essas perguntas e temo que fique ainda mais difícil à medida que o tempo passe. Mas, de alguma forma, inexplicavelmente, tenho aprendido a desenvolver a força interior necessária para enfrentar esse pesadelo que é a morte. Há coisas que são simplesmente inexplicáveis. A morte é uma delas.

2. Mudanças são boas, mas dá trabalho.

Demorei alguns anos para entender o poder da mudança. Nós ficamos presos em rotinas de trabalho que nos incomodam e não fazemos nada para mudar. Em março de 2016 eu comecei a mudar. Depois de cinco anos trabalhando na mesma empresa, realizando o mesmo tipo de trabalho, decidi pedir demissão. Saí do meu emprego fixo, para ir em direção ao meu projeto de vida profissional e pessoal. Estou feliz, mas ainda é estranho. Só lamento de não ter tomado essa decisão antes, a esta altura já teria realizado muito mais. É estranho ser chefe de si mesmo, mas conheço uma galera talentosa e criativa vivendo desta maneira que têm dado certo. A liberdade às vezes assusta, mas ela traz muitos ganhos quando se está na direção certa. Assista ao vídeo que gravei na semana passada falando sobre mudanças.

3. Hábitos podem ser mudados.

Sabe aqueles hábitos ruins que a gente cultiva a vida inteira? Então, decidi colocá-los de lado para o meu próprio bem. Sempre fui uma pessoa adepta ao esporte até o final do ensino médio, em 2007. Desde então, um sedentarismo de dar inveja. Este ano eu entrei na academia. Depois de cinco meses com a minha avó insistindo para que eu entrasse na academia junto com ela, me rendi. Sim, minha avó, de setenta e cinco anos, faz academia. Não pretendo entrar nessa onda “fitness”, mas noto que essa simples mudança, de colocar meu corpo pra funcionar, me fez bem. Em 2017 eu posso desistir da academia, mas o bom é que consegui associar mais prazer do que dor em mudar este hábito. E se eu desistir posso voltar a jogar futebol ou andar de bike, porque na verdade podemos vincular dor ou prazer a qualquer coisa que desejarmos mudar.

4. Precisamos ter paciência.

Confesso que trago uma carga hereditária de “pavio curto”. Mas nada me impede de mudar isso. Ter paciência é um exercício que pratico diariamente, muitas vezes sem sucesso, mas não desisto. E é por saber bem quem sou e saber que o mal me habita tanto quanto o bem que tenho escolhido muito bem os meus combates. Escolho só os bons combates, para que desta maneira a paciência possa crescer em mim.
Em 2016 fiz uma escolha pelo amor, esperança, fé, domínio próprio, equilíbrio, moderação, flexibilidade, compaixão, bondade, misericórdia, perdão, acolhimento e PACIÊNCIA. Só a paciência poderá me proporcionar tudo aquilo que é bom.

5. Ter empatia é essencial.

Cada vez mais, sinto que a gente precisa fazer algo pelo mundo ao redor. Muito se tem falado e pouco se tem praticado. Sim, empatia é algo a ser praticado. Existem diversos projetos ao redor do mundo que incentivam às crianças a serem empáticas. Você se lembra da última vez que você precisou oferecer empatia pra alguém? Não? Basta olhar ao seu redor, o mundo grita por empatia.

Marshall Rosenberg diz que: “Por trás de todo comportamento, existe uma necessidade”. Sendo assim, precisamos nos tornar investigadores de necessidades. Porque as necessidades humanas são universais, e é onde todos nós nos conectamos. Através da empatia nos conectamos às outras pessoas. Desta maneira, descobriremos que as outras pessoas somos nós. Seja mais empático, please.

6. Sentir-se perdido é o primeiro passo.

Quantas vezes nos sentimos perdidos na vida? Qual caminho seguir? Essa é a decisão certa a tomar? Parece até que é algo inerente ao ser-humano, sentir-se perdido. Admiro muito as pessoas que nunca se sentem perdidas. Esse ano estive em um lugar, desejando estar em outro e por diversas vezes me sentia perdida. Bem perdida.
Eu estava desacostumada com este sentimento, mas esse ano a vida me obrigou a percebê-lo novamente como passo fundamental para realizar mudanças. Mas existem diversas maneiras de reprogramar a rota e encontrar a direção certa para seguir em frente. A minha foi através do Coaching. Encontre a sua maneira. Questione-se. Busque o autoconhecimento.

7. Em algum momento seremos decepcionados, precisamos aprender a perdoar.

“As pessoas não são más, elas só estão perdidas”. Toda vez que eu sofro uma pequena ou grande decepção com alguém, eu digo para mim mesma esta frase de uma música do Criolo. E saber disso é o primeiro passo para não me decepcionar tanto assim com alguém.  Às vezes, é inevitável. Uma pessoa que eu admirava muito sempre disse essa frase: “Em algum momento eu vou lhe decepcionar”. E, infelizmente, ela me decepcionou neste ano. Tudo bem que ela já avisava que era pra eu – e ninguém – criar falsas expectativas de que a vida é um conto de fadas. De fato, a vida não é.

Mas eu mudaria um pouco esta frase e diria assim: “Pode ser que em algum momento eu lhe decepcione, mas farei o possível para que isso não aconteça”. Ual! Já muda bastante coisa, né? Apenas saiba que sempre seremos decepcionados ou decepcionaremos alguém, mas que façamos o possível para que isso não aconteça.

8. Pessoas vão embora, em vida.

Gosto de gente. Gosto de ter amigos. Mas nossa vida não é feita de relações eternas. Algumas pessoas são temporárias nas nossas vidas. E precisamos aceitar isso. Porque todas aparecem como se fizessem parte do imenso quebra-cabeças que é a nossa vida. Às vezes, essa peça se encaixa rápido e por ali fica até o fim. Outras, não se encaixam tão rapidamente e precisam ir, para que novas peças se encaixem. E isso não as torna menos essenciais. Mas pessoas que eu jamais imaginei que sairiam da minha vida foram embora neste ano de 2016.  Pessoas que deixaram um perfume que não será esquecido. Porque marcaram a minha vida com tamanha intensidade, que eu só posso oferecer a minha eterna gratidão.

9. Empoderar-se da própria história é extremamente necessário.

A palavra “Empoderar” vem do inglês “empowerment“, quando ouvi a palavra empoderamento, achei estranha. Mas quando descobri o real significado dela, me apaixonei. Foi por isso que decidi criar o Instituto Empodera.Mente. A ideia de desenvolver mais o nome do Instituto neste ano é porque sinto que partilhando um pouco da minha história posso ajudar outras pessoas a entenderem e lutarem pelas suas próprias histórias. A maioria das pessoas não desiste por causa daquilo que não podem fazer, e sim pelo que acreditam que não podem fazer. Quando você aceita sua história, passa a ter domínio sobre sua própria vida, você está empoderando-se de coragem para seguir em frente e, desta maneira, você será capaz de quase tudo e com certeza, estará mais próximo de atingir suas expectativas.

10. Jamais se distancie de você mesmo.

A frase parece até clichê, mas a gente esquece. Ainda tenho muito para viver e aprender, mas quando olho pra trás, percebo que por diversas vezes me distanciei daquela pessoa que eu já fui um dia. Acredito que cada um de nós possui um gigante interior. E quanto mais você se conhece, mais percebe que está de fato no controle da sua vida. Morei seis anos em São Paulo e me distanciei de mim mesma. Há alguns meses de volta à minha cidade natal, tenho me aproximado de mim mesma, das minhas raízes, da minha família, da minha história. Quanto mais me conheço, menores são as chances de me perder pelo caminho.

***

Precisaremos encarar 2017 cheios de esperança e resiliência. A gente erra, mas aprende. Ou sofre, sem ter errado. Ou sofre, porque continua insistindo no erro.
Quero te dizer algo: levante-se “apesar de” e prossiga. O Ano Novo é para recomeçarmos. É nossa chance de colocar as coisas no seu devido lugar, dar nome aos sentimentos, planejar os recomeços. É a chance de melhorar a nós mesmos.
De começar de novo, com um pouco mais de aprendizado. Nunca se sabe as surpresas que nos aguardam. Feliz Todos os Dias!

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Júlia Audi

Master Coach, escritora, empreendedora e radialista.
Júlia Audi

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