Amigos verdadeiros? Eu conto nos dedos!

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Já ouviu falar daquele ditado: “dá pra contar quem são seus verdadeiros amigos nos dedos”?
Pesquisas confirmam que é melhor ter poucos amigos, mas que eles sejam bons. Hoje, com 27 anos de idade, tenho que assumir que esta frase é verdadeira. Existem pessoas que descobrem isso antes – ou bem depois. Outras nem chegam a descobrir. Mas comigo esta frase tornou-se verdadeira recentemente. Afinal, amizades são feitas de ciclos, alguns ciclos são maiores, outros menores. Tem amizades que duram o ciclo da vida inteira. Mas, infelizmente, nem todas as amizades são para sempre e, sim, amigos verdadeiros? Eu conto nos dedos!

Quando eu tinha 18 anos e estava na faculdade, tive amizades que duraram o ciclo da faculdade, outras um ciclo de trabalho, outras o ciclo da infância e adolescência. Tem amizade que nem chegou a completar o ciclo, mas aconteceu por um momento.

Aristóteles diz que um amigo é uma alma que vive em dois corpos. Amizades precisam de cuidado, carinho e reciprocidade. Por mais que a nossa vida seja corrida, nós devemos tirar tempo para fazer um telefonema, mandar uma mensagem no WhatsApp, marcar um amigo naquela publicação de zoeira do Facebook apenas para dizer “hey, lembrei de você”, porque são os pequenos gestos que fazem com que nos sintamos amados e lembrados pelos nossos amigos.

Há décadas o antropólogo britânico Robin Dunbar estuda quantos amigos podemos ter. Sua conclusão é de que nossas amizades são distribuídas em círculos. (conforme a foto abaixo)contágio socialE que o mais próximo cabem apenas cinco pessoas. Esses são considerados os nossos melhores amigos.
No segundo círculo são 10, no terceiro, 30, e no quarto, o das mais distantes, pode haver cerca de 100. Ou seja, 150 pessoas é o máximo de indivíduos com quem podemos manter alguma relação de amizade. E você aí pensando que seus mais de 1.000 amigos do Facebook são realmente seus amigos. Sabe de nada, inocente.

Outro estudo interessante referente ao poder das conexões ou do contágio social, como preferir chamar, diz que nós somos a média das cinco pessoas com as quais mais convivemos. Christakis e Fowler, responsáveis pelo estudo,  dizem que as pessoas são contagiadas pelos comportamentos daqueles que conhecem diretamente e também de outros mais distantes. Além disso, analisando dados de 12.067 pessoas no período de 1971 a 2003, os autores descobriram que, quando uma pessoa para de fumar, sua decisão tem um efeito de onda sobre os que estão conectados a ela no seu círculo. E claro, todos os outros hábitos, sejam eles bons ou ruins nos influenciam.

Conforme explicam os autores, o que alguém faz ou diz tende a reverberar em seu círculo social, exercendo impacto sobre seus amigos (primeiro grau), os amigos de seus amigos (segundo grau) e mesmo os amigos dos amigos de seus amigos (terceiro grau).
E eu te pergunto: quais tem sido as pessoas que você mais convive?

Quando olho para trás e relembro de algumas histórias marcantes ao lado de amigos que tive, meu coração se enche de gratidão, guardo com carinho amizades que foram importantes para mim num determinado momento da minha vida. Muitas amizades eu também acho um alívio ter me distanciado, porque eu sabia que elas estavam me influenciando negativamente. Outras sempre serão importantes – e para sempre.
Mas quantos amigos bacanas não se encaixam mais nesse momento atual da nossa vida? Isso às vezes acontece e não significa que essa amizade seja menos importante, ela aconteceu apenas durante um ciclo.

De todas as amizades perdidas, seja as da infância, adolescência, escola, faculdade, balada, enfim, ou aquelas que nós mesmos fizemos questão de perder pelo caminho, talvez a que mais doa, é daquela amiga que a gente ama e ama muito, mas que, infelizmente, nos distanciamos tanto na maneira de viver, que uma não cabe mais no ciclo de vida da outra. Essa amizade, sim, acabou completando o seu ciclo.

Eu não sei você, mas eu torço muito para que esses poucos amigos que ainda conto nos dedos das mãos completem o ciclo da vida comigo. Até o fim.

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Júlia Audi

Master Coach, escritora, empreendedora e radialista.
Júlia Audi

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