Escolhas: como fazê-las sem perder a nossa humanidade?

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Escolhas: como fazê-las perder a nossa humanidade?Todo dia você faz escolhas: algumas são de grande importância outras de menor importância. Mas são elas que determinarão o seu fracasso ou sucesso na vida. Como tem exercido seu poder de escolha? Você tem simplesmente seguido seus instintos ou tem refletido para tomar as decisões?

Eu tinha 18 anos quando comecei a fazer escolhas erradas na minha vida. Fazer escolhas, erradas ou não, faz parte da vida de todo mundo. Contudo, quando somos mais novos e desesperados em busca da tão sonhada liberdade, essas decisões muitas vezes se transformam em arrependimento por falta de maturidade. Foi assim comigo. E pode ser que tenha sido assim com você também.

Processo de Coaching

Há três anos eu passei por um processo de Coaching que transformou radicalmente a minha vida. (Se você não sabe o que é Coaching é só clicar aqui para entender um pouquinho.)
Eu mudei. Mudei muito. E para melhor. Mudei tanto que decidi ser uma coach e poder oferecer a mesma oportunidade de transformação que eu tive para às outras pessoas.

Estava muito otimista uns três anos atrás, quando comecei a descobrir o que era Coaching, o que era essa metodologia poderosa que engloba várias ciências. “Nossa, é isso! Preciso compartilhar essa informação com todo mundo, agora vai dar tudo certo.” E aí o tempo foi passando e não é bem assim.

Eu fui percebendo que é um trabalho diário e em conjunto, a gente, antes de mais nada, precisa se esforçar e querer realizar algum tipo de mudança, não basta apenas eu querer aplicar a metodologia em alguém e pronto, a mudança não ocorrerá enquanto o meu cliente não decidir dar o primeiro passo.

Ninguém é forte o tempo todo

Não quero e não sou àquela pessoa que precisa mostrar que é forte o tempo inteiro só porque hoje eu tenho uma nomenclatura atrelada ao meu nome e alguns diplomas na área do Coaching e da Inteligência Emocional. Eu continuo sendo humana. Eu continuo a errar. Acontece que hoje eu tenho consciência dos gatilhos emocionais que me fazem tomar uma decisão errada. E, claro, a velocidade com quem me ergo após meus tombos é muito mais rápida, porque eu aprendi o caminho que funciona e dá certo para mim.

Sei também que se a minha mãe tivesse tido a oportunidade de conhecer essa metodologia na minha idade, hoje poderia ser muito maior do que já é. Acho que ela é realmente muito guerreira, mas com certeza teria feito outras escolhas e tomado outras decisões. Usei o exemplo da minha mãe, mas vale para qualquer pessoa.

Mas não é sobre o passado que eu quero falar, é sobre o presente, e como podemos mudar
o que estamos fazendo hoje em nome de um futuro mais leve, mais humano e, talvez, com menos arrependimentos?

Quem quer, consegue?

Detesto àquela expressão, tipo: “Quem quer, consegue”. Realmente, muitas pessoas que queriam conquistar determinadas coisas, conseguiram. Mas precisamos entender aqui que cada um é cada um. E que cada pessoa tem uma história de vida e que precisamos acolher essas histórias de forma empática.

Temos muitas escolhas a fazer e eu não sei o que você quer conquistar hoje, amanhã, não sei se você acha que só será feliz quando conseguir juntar certa quantidade de grana ou comprar um apê de três quartos ou emagrecer, se formar numa faculdade, casar, ter filhos. Freud fala que o nosso aparelho psíquico não é feito para a felicidade. No máximo, a gente consegue diminuir a infelicidade.

Se conseguíssemos ser felizes o tempo todo não ficaríamos correndo desesperadamente, querendo acumular coisas ou acreditando que a felicidade é aquilo que está logo ali e que o meu vizinho, meu primo, meu amigo de infância conquistou e que eu, com muita sorte, alcançarei um dia, porque isso não é felicidade e não vai demorar muito para que estejamos correndo feito loucos atrás de alguma outra coisa que supomos que nos fará felizes novamente. Bem disse Guimarães Rosa: “Felicidade se acha é em horinhas de descuido”. Isso é verdade. Foram nos momentos mais simples que eu senti plena felicidade em minha vida.

Momentos de felicidade

É naquelas horinhas em que despretensiosamente você ajuda uma senhora atravessar à rua ou dá um prato de comida para um morador de rua ou fica sentado na calçada acompanhando seus filhos se divertirem ou senta-se na varanda para admirar o por-do-sol ao lado do seu amor ou fica apenas admirando a textura da pele da sua avó enquanto suas mãos estão entrelaçadas com as dela e você vê beleza naquele momento efêmero.

Agora se você olha para um morador de rua, para várias famílias que perderam suas casas no centro de São Paulo porque o prédio em que moravam pegou fogo e você não sente nada, é um pedacinho seu vai embora. Isso se você já não estiver um pouquinho morto por dentro. É claro que não conseguiremos ajudar todo mundo o tempo todo, mas que é possível ajudar algumas pessoas durante algum tempo, isso sim é possível.

Stephen Covey afirmou: “Existem três coisas constantes na vida: princípios, escolhas e mudança”. As nossas escolhas dependem única exclusivamente de nós, mas para que essas escolhas sejam sábias elas precisam ser construídas sobre bons princípios. E eu acredito muito nos princípios que Jesus nos ensinou.

“Nada prejudica ou destrói-nos mais, do que o uso errado da liberdade de escolha que Deus nos confiou”. Acreditando ou não em Deus, Ele te dá o livre arbítrio para que você faça suas próprias escolhas.

Por isso:

  • Evite tomar decisões precipitadas.
  • Se tiver alguma decisão para tomar, não procrastine!
  • E, claro, sempre faça uso do bom senso e da sua razão

Para finalizar esse assunto sobre as decisões que devemos tomar hoje e no futuro, eu apenas quero dizer que não posso e não devo ser responsável por transformar outras pessoas, porque essa é uma responsabilidade grande demais para mim ou para qualquer um. Só você tem esse poder. O poder de transformar a sua própria vida.

Eu não tenho o mínimo desejo em ser refém da minha própria história, mas quando a gente sabe que através da nossa história estamos passando força, ensinando algo, compartilhando algum tipo de esperança para as pessoas, também ficamos mais fortes. Que a gente possa contar a história da nossa vida de outras formas e, de fato, transformá-la.

Júlia Audi

Master Coach, escritora, empreendedora e radialista.
Júlia Audi

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