Dia dos pais é dia dos filhos também

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Dia dos pais é dia dos filhos também

As diversas fotos com pais na minha timeline do Facebook indicam que o Dia dos Pais chegou. Mas algo me chamou atenção: a quantidade de pessoas que não parabenizam seus pais, mas agradecem às suas mães por terem desempenhado duas funções durante toda a vida. São as famosas “pães”. Eu também tenho uma “pãe”.

Infelizmente, ainda vivemos uma dura realidade em que os homens se envolvem muito pouco na criação e educação dos próprios filhos, isso quando eles assumem esse papel, né? Acontece que a minha história não é diferente das muitas histórias que eu conheço por aí, aliás, convivi com várias amigas que eram assim também.

Eu tinha quinze anos quando decidi conversar com o meu pai. Foi o nosso primeiro diálogo. Entre algumas lágrimas e perguntas básicas do tipo: “Por que você não me assumiu?”, “Por que você sumiu?”, eu só tenho a lembrança de ver algumas lágrimas rolarem pelo seu rosto. E um acróstico – que guardo até hoje – escrito por ele:

 Jamais esquecerei que
Um dia o sol e a
Lua jamais deixarão de
Iluminar
sua vida

Mesmo quando o desaparecimento do pai não é definitivo, a lacuna deixada não é facilmente preenchida. A ausência do meu pai em minha vida criou uma lacuna e ferida emocional tão grande, que foram necessários muitos anos de terapia. Desde minha infância, nessa época eu ficava muito deprê e me batia uma saudade que eu não conseguia identificar a origem dela. Eu pensava: ‘Como posso ter saudade de alguém que eu nunca convivi?’. Ele não sabe quais são meus gostos, com o que eu trabalho, as minhas lutas, em que eu acredito, talvez, você que esteja lendo esse texto, saiba mais sobre mim do que meu pai, ele é totalmente alheio a minha vida.

Foram diversos tipos de sentimentos, para que, com 27 anos de idade, eu pudesse entender que não era saudade que eu tinha, mas mágoa. Os tempos mudaram, nada mudou. Ainda me sinto sem pai. Mas eu sei que alguma coisa aconteceu, porque a ressignificação da figura paterna é também um processo de cura. É possível superar essa dor e preencher a lacuna com coisas que nos façam bem.

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Outro dia chegou em meu celular um WhatsApp de um número desconhecido. Era ele. Me desejando feliz aniversário. Agradeci. Desde então algumas mensagens motivacionais surgem em meu celular, só que eu não consigo dizer mais nada. Mas, hoje, terei a coragem de enviar esse texto para ele.

E, mesmo que eu não consiga dizer isso pessoalmente ou não tenha a oportunidade, quero dizer agora: eu te perdoo por ter me abandonado. Eu te perdoo pela ausência na minha vida. Você não faz ideia do tamanho da dor que causou em mim. Mas eu te perdoo. A participação da minha mãe na minha vida foi fundamental para que eu me tornasse a mulher que sou hoje. Eu me considero privilegiada porque minha mãe sempre foi presente na minha vida, juntas, aprendemos a ser fortes. Ser pai é uma decisão, é uma escolha. Você não escolheu isso, mas ainda pode escolher. Nos 10 mandamentos, que para mim não há mandamentos, mas, sim, aconselhamentos, porque não consigo imaginar um pai obrigando seus filhos a nada. Jesus nos aconselha a honrar pai e mãe. Honrar não é amar. Mas eu te honro. E agradeço por ter me colocado neste mundão, sem sua participação, eu jamais estaria aqui. Nada nos obriga a amar nossos filhos e nem nossos pais, como em relação a tudo, amar é algo espontâneo e jamais uma obrigação. Eu não sei qual é o seu sentimento em relação a mim, talvez você se lamente pelo tempo perdido por causa de sua ausência. Mas somos humanos, sujeitos a erros. Apenas saiba que enquanto há vida, há esperança – e mudança!

Para finalizar, gostaria de dizer aos filhos abandonados que estão lendo esse texto: façam como eu fiz, libere o perdão a seu pai por tê-lo abandonado. Procure-o e diga isso pessoalmente – ou por WhatsApp. Talvez ele não faça ideia do tamanho da dor que causou em você. Se você não sabe onde ele está ou se ele já faleceu, apenas o perdoe e deixe que a paz inunde o seu coração. E por mais que pareça clichê: existe um Paizão que tá lá em cima, cuidando de você e de mim, sempre presente em nossas vidas.

Gostaria de dizer aos pais que estão lendo esse texto: existem muitas crianças que têm tudo na vida, mas não têm o maior presente que um filho pode ter que é um pai presente em sua vida, saibam que vocês são responsáveis pela saúde emocional dos seus filhos no futuro. Sejam machos de verdade e sejam participativos na vida deles. Afinal, dia dos pais é dia dos filhos também!

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Júlia Audi

Master Coach, escritora, empreendedora e radialista.
Júlia Audi

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