O que eu aprendi depois de dois anos solteira

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O que eu aprendi depois de dois anos solteiraNão posso acreditar que já se passaram dois anos! É tempo bastante, mas parece que foi ontem que eu terminei com aquele grande Amor e agora decidi compartilhar o que eu aprendi depois de dois anos solteira.

Outro dia fiquei muito brava com um colega que tentou condicionar minha felicidade ao meu estado civil. É impressionante o quanto isso está incutido na nossa sociedade. Talvez seja a hora de pararmos de pensar que só porque a pessoa está solteira não significa que ela esteja triste. Chega de pensar que a categoria dos casais são cheias de pessoas felizes e os solteiros são infelizes. Conheço gente feliz e infeliz dos dois lados.

Por isso não fique aí se enganando com o tal do “viveram felizes para sempre”. Felicidade vai muito além de estar ou não com alguém. Tem a ver com realização profissional, família, amigos, viagens, sonhos, liberdade e ter alguém ou NÃO ao nosso lado.

A decisão

Amei e fui amada e então, depois dos 25, me permiti ficar sozinha mesmo com receio. Afinal, isso nunca havia acontecido até então. Me joguei ao desconhecido para depois de dois anos descobrir que o desconhecido era eu mesma. E devo confessar que a melhor oportunidade que a vida me deu, mesmo depois de um término complicado, foi poder ficar solteira. Só assim tive o privilégio de vivenciar um profundo autoconhecimento.

Foram dois anos de total desconstrução de quem eu era para construir uma nova versão de mim mesma. Uma versão mais madura, empoderada, segura e inteira. Precisei de alguns anos, términos e tantas relações “mal-resolvidas” para entender que o ser humano possui os recursos necessários para superar qualquer tipo de situação, e de apenas dois anos para perceber o quão difícil é reforçar quem eu sou, me assumir ainda mais, enfim, ser plenamente feliz a despeito de rótulos e pessoas.

A descoberta

Foi um choque perceber que eu havia vivido 25 anos com uma completa desconhecida. E, contrariando o poeta, “é possível ser feliz sozinho”, mas jamais conseguiremos ser felizes sem nos conhecermos. O problema é que vivemos em uma sociedade que supervaloriza a felicidade e nos diz que felicidade é se formar numa faculdade, ter um bom emprego, casar, ter filhos, morar numa bela casa e comprar o carro do ano. Ter tudo isso é muito bom, mas isso não nos garante felicidade. Antes de ter todas essas coisas, desde a nossa infância, já deveríamos ser ensinados a praticar primeiro o autoconhecimento, só assim aprenderíamos a valorizar o Amor e não os papéis assinados e aliança no dedo.

Mas bem disse Guimarães Rosa, “felicidade se acha mesmo em horinhas de descuido”; são aqueles momentos em que podemos ver o sol se pôr ou nascer; ouvir os pássaros cantando; uma gargalhada de uma criança; sentir a brisa do vento acariciar o nosso rosto; ver um girassol. E, até mesmo, nos momentos de dor. Já disse isso aqui uma vez: foram nos dias de mais profunda dor e sofrimento que entendi a importância de valorizar a dor.

A cura

Não foi o tempo que me curou. O que cura mesmo é tratar a nossa dor interna durante esse tempo. Já ouviu falar daquele ditado que diz: não adianta tentar afogar as mágoas porque elas aprendem a flutuar? Então, precisamos mexer na ferida. Dói. Dói bastante. Mas só foi dessa maneira que eu consegui expulsar a dor e me libertar. Me senti como uma lagarta saindo do casulo, passando por todas as etapas da dor, para finalmente me transformar numa borboleta. Uma borboleta que hoje pode bater asas e voar. Voar para onde eu quiser, talvez até, para os braços de alguém que esteja disposto a desfrutar da plenitude um do outro e amar tudo que somos. E tudo isso só é possível por causa desses dois anos solteira.

Saber ser solteir@, nos dá a chance de sermos parceir@s ainda melhores. Pode ser que você corra o risco de descobrir que é mais feliz sozinh@ do que acompanhad@. Mas tudo o que eu posso garantir é: solteira eu aprendi que continuo tão ser humano quanto quem está comprometido. E que após uma grande imersão pra dentro de você mesmo, a recompensa é que seu mundo jamais será o mesmo.

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Júlia Audi

Master Coach, escritora, empreendedora e radialista.
Júlia Audi

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